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Montse Planas: “As pessoas são quem dá valor à empresa”

Montse Planas: “As pessoas são quem dá valor à empresa”

  • Janeiro 28, 2020

Montse Planas é diretora-geral da Fresenius Kabi Espanha e Portugal, uma empresa global de saúde especializada em medicamentos vitais e tecnologias para a infusão, transfusão e nutrição clínica para o cuidado de pacientes clínicos e crónicos. É a única empresa de Espanha que oferece soluções de nutrição por via intravenosa, bem como produtos de nutrição por via gastrointestinal e os seus respetivos dispositivos médicos para a aplicação de ambas as gamas.

Para a Fresenius Kabi, as pessoas são um meio ou um fim? Que papel desempenham?

O valor das empresas dentro da sociedade é básico, não tanto pelo lucros que geram, mas sim pela riqueza que geram em seu redor. As pessoas que trabalham diretamente para elas recebem um salário (que depois gastarão e fará crescer outras empresas),  formar-se-ão profissional e pessoalmente e criarão no seio do seu meio um ambiente “amável”.

Somos todos responsáveis por aquilo que nos rodeia e, como tal, as empresas devem responsabilizar-se, mas não apenas com programas corporativos, mas sim no dia a dia. Então, para responder à pergunta, as pessoas são um fim, porque, no fim, são as que dão valor à empresa, tanto a nível interno ajudando a obter lucros, como socialmente por aquilo com que contribuem.

O vosso lema é “caring for life”, também a nível interno? Que ações são levadas a cabo para cuidar da vida dos vossos funcionários?

Dentro da empresa, há uma forte  cultura de colaboração, integridade e compromisso. Tentamos ter pessoas empenhadas na empresa e a empresa somos todos nós. Não se pode comprometer com uma “entidade” que não conhece, compromete-se com os seus companheiros, com o seu chefe, com a direção da empresa (cujos membros conhece pessoalmente e eles conhecem-no), com os seus clientes (que têm nomes e apelidos, filhos,)… as pessoas comprometem-se com as pessoas.

É-lhe muito mais fácil  encontrar este ambiente “amável” (ou “caring”) se vir que a empresa facilita a sua vida de alguma forma: trabalho flexível, salário flexível, possibilidade de aprender inglês dentro da empresa, horários laborais onde não se recompensa o facto de ficar sentado na sua secretária até muito tarde, mas sim onde se pedem resultados, sentir-se reconhecido, ter espaço (tanto a nível de tempo como de espaço físico) para partilhar…

Vocês dizem que, como empregadores modernos, oferecem aos vossos funcionários um equilíbrio entre desenvolvimento profissional e vida pessoal. Como é ele posto em prática?

O equilíbrio entre a vida pessoal e profissional precisa de ser praticado por cada um. Aquilo que tem que ser feito pela empresa é não impedir que isso ocorra.

Tentamos ter muita  flexibilidade (até onde o trabalho diário de cada um o permitir). Não é a mesma coisa ter um call center que tem de estar operacional num determinado horário ou uma pessoa de marketing que, se for o caso, pode não estar presente durante a manhã inteira mas sim trabalhar desde casa durante a noite se for mais produtivo para ela.

Temos um horário flexível, pelo que as pessoas podem gerir o seu dia a dia pessoal de maneira a poderem atender as suas necessidades ao mesmo tempo que atendem as da empresa.

A diversidade cultural é uma realidade na Fresenius Kabi. Que desafios lança? Qual o seu contributo?

A diversidade cultural é a melhor coisa que pode acontecer numa empresa. Abrir as portas a novas ideias e formas de trabalhar expande de forma exponencial o potencial que se tem como grupo/equipa.

Como exemplo disso, desde o ano passado, as equipas de Espanha e de Portugal formam agora a organização Ibéria. Dentro do Comité de Direção, temos pessoas de ambos os países. Pois bem, pude assistir a um  crescimento da equipa tanto em ambição de novos desafios, aprendizagem de novas formas de trabalhar e contribuição de várias características e, ao mesmo tempo, complementares que faz com que se possa dizer sem qualquer dúvida que somos muito melhores do que há dois (quando as equipas de Espanha e de Portugal estavam separadas e praticamente sem contacto).

Vocês oferecem aos vossos funcionários a possibilidade de se desenvolverem pessoalmente, tanto localmente como internacionalmente. Nesse sentido, que índice de mobilidade têm? Que benefícios traz isso à empresa? E aos funcionários?

 

Dentro do Grupo Fresenius existem muitas possibilidades de desenvolvimento tanto local como internacionalmente. Infelizmente, em Espanha, é difícil conseguir que haja pessoas que queiram mudar o seu lugar de residência e temos poucos casos de espanhóis que vão para fora. Em contrapartida, temos muitos estrangeiros que vêm para cá.

As  oportunidades , há que saber agarrá-las, porque o único lugar onde nos é dado algo excelente antes de pagar por isso, é no restaurante. Numa empresa, é preciso agarrar a oportunidade, arriscar (mudar de trabalho, de lugar de residência, etc.) e depois virão mais coisas e mais coisas…

A nível interno, temos um programa de desenvolvimento de talentos, formação contínua, inglês, etc.

Como conseguem um ambiente de trabalho colaborativo?

A cultura da empresa é a de total colaboração. Uma das formas que nos ajudam a conseguir esse ambiente de trabalho colaborativo é envolvendo as pessoas individuais em projetos de identidade da empresa. Dois desses exemplos estão no comité de comunicação interna e em Kabiflow.

O comité de comunicação é composto por uma pessoa de cada departamento da empresa e encarrega-se da coordenação da  comunicação interna da empresa. Isto permite-nos que as iniciativas neste campo estejam fortemente interligadas no dia a dia dos diferentes departamentos e, ao mesmo tempo, temos um termómetro do clima que se respira na empresa.

Por outro lado, há já algum tempo que se implementou o termo  Kabiflow. Isto começou com algumas pessoas da equipa de marketing, porque acreditavam que dentro da empresa havia um “bom ambiente” que fazia com que o trabalho fosse menos pesado – sentiam que tinham o apoio tanto dos seus chefes como dos seus colegas.

A partir daí, vimos que a forma como essa palavra se definia encaixava completamente nos nossos valores enquanto empresa. Ou seja, havia “Kabiflow” na empresa, e isso estava relacionado com os valores que partilhamos.

A partir daí, começámos a pensar em definir comportamentos, traços de personalidade, o que significa Kabiflow e a usá-lo para o recrutamento, avaliações, etc.

É habitual que se pergunte se o candidato X que acaba de ser entrevistado tem Kabiflow… E se não o conseguirmos detetar, não entra na empresa.

Qual é o papel da criatividade e da cultura “Can DO” para uma empresa líder no mercado e com um forte crescimento global?

A nossa cultura já inclui a mentalidade “Can do”. Com o termo “Kabiflow”, inclui-se também uma forma de funcionar na qual  as coisas se fazem porque é possível fazê-las entre todos.

Uma pessoa que não se encaixa nesta cultura fica relegada e é muito evidente, pelo que, ou muda ou fica de “fora” da cultura da empresa.

A nossa experiência é que a energia que se cria com uma  cultura de compromisso, “can do”, equipa, etc., alimenta-se a si mesma, pelo que se fortalece de forma bastante natural.

O papel da Direção, neste caso, é continuar a incentivá-la e a apoiá-la, com ações pontuais mas, sobretudo, com o dia a dia e escolhendo muito bem as pessoas que entram para a empresa, para que tenham a mesma cultura.

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