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David Guzmán: “Felicidade e produtividade, binómio de sucesso”

David Guzmán: “Felicidade e produtividade, binómio de sucesso”

  • Fevereiro 11, 2020

“A inovação e a transformação cultural através das suas pessoas e através dos Recursos Humanos são o meio para se alcançar o sucesso. Felicidade e produtividade, binómio de sucesso”

David Guzmán  define-se como um Diretor de equipas na área de Pessoas.  É especialista na gestão de Pessoas, Desenvolvimento Diretivo e Quadros Intermédios, com vocação para o Talento e o desenvolvimento de organizações 3.0.

Poderíamos defini-lo como um especialista na gestão de pessoas com vocação para o talento? Explique-nos algo mais acerca desta função.

Sim, absolutamente, sou apaixonado pelo mundo das pessoas e do talento e em converti-o num sócio estratégico de negócio. A palavra especialista e pessoas esconde uma grande complexidade, mas, atrever-me-ia a dizer que sim, sou especialista na gestão do talento. Sobretudo, sou alguém que trabalha para as pessoas. Praticamente desde o início da minha carreira, dediquei-me e dedico-me às pessoas.

Tive a grande sorte de trabalhar com equipas multidisciplinares em diferentes setores e com diferentes tipos de talentos e acho que tive a sorte de poder tirar o melhor de cada um deles. Trabalhar para que o talento flua nas organizações é algo apaixonante. As empresas não têm alma, as pessoas dão alma às organizações.

Quais acredita serem as chaves para fomentar o talento no âmbito laboral?

Diria, sem dúvida, que são duas: O talento da camada diretiva e a adaptação das pessoas a um novo paradigma das relações nas empresas.

talento necessita de uma direção excecional. Para que uma organização tire partido do talento, os colaboradores precisam de ser dirigidos por managers com muito talento, o que, sem dúvida, é o fator mais importante.

É inevitável que a vida de um colaborador com talento na organização seja condicionada pela camada diretiva e, se tivermos um chefe que confia no talento individual, as aptidões adquirirão protagonismo tendo um impacto positivo nos resultados de cada colaborador.

Outro fator é, sem dúvida, a adaptação das políticas de Pessoas ao novo paradigma laboral. Este exige culturas mais flexíveis, espaços mais abertos, um maior grau de liberdade para criar, objetivos cada vez mais flexíveis e construídos com um compromisso grande por parte do colaborador para com a organização, aquilo a que chamamosEngagement ou empoderamento.

A chamada geração Millennials leva-nos à construção de um ambiente que exige aos departamentos de Pessoas uma maior genialidade para atrair o talento.

Fale-nos um pouco acerca da liderança. O que entende por liderança?

Há uma definição da liderança do nosso tempo que adoro, é do Bill Gates e acompanha-me sempre. “Os líderes do século XXI serão aqueles que forem capazes de impulsionar os outros”, estou absolutamente de acordo.

Acredito que os líderes do futuro, ou já quase do presente, serão aqueles que forem capazes de desenvolver uma liderança emocionalmente inteligente. Nestes tempos em que se fala tanto da robótica e da inteligência artificial, os líderes emocionais são o fator chave para o desenvolvimento das pessoas, serão quem será capaz de levar as organizações e as pessoas ao nível seguinte.

Aquilo que nos emociona permanece em nós, lembrar-nos-emos e aprenderemos com todos os chefes que conseguiram emocionar-nos. Diria a todos os gestores para não abandonarem a sua inteligência emocional e até a incluírem no seu desenvolvimento, pois não é incompatível com o pensamento estratégico. Aposto num “Management com um elevado grau de inteligência emocional”

Como acredita que poderíamos aumentar a satisfação no âmbito laboral (especialmente se o nosso trabalho não nos realiza)?

Se o seu trabalho não o satisfazer ou não se realizar com ele, é uma autêntica catástrofe: passamos uma boa parte da nossa vida a trabalhar. Incentivo todas as pessoas a encontrarem a sua vocação, aquilo para o qual somos feitos e que nos dá arrepios. Fazer aquilo que faz e fazê-lo com paixão é imprescindível. É muito importante rodear-se de pessoas que nos motivem, que nos mostrem positivismo e, porque não, procurar organizações que sejam afins aos valores culturais nos quais acredita.

Encontrar aquilo que quer fazer e fazê-lo com paixão é imprescindível. Isto não significa permanecer num estado constante de plena felicidade, por vezes é inevitável passar por altos e baixos, desafios e ameaças que nos podem destabilizar, mas permanecer o máximo tempo possível felizes relegará os obstáculos para um segundo plano.

Que relação tem o bem-estar com a produtividade?

Tem uma relação direta, um colaborador feliz poder ser até 30% mais produtivo aproximadamente. Quando uma pessoa sente que faz aquilo que quer fazer, o objetivo move-a e fá-la feliz, encontra uma motivação intrínseca, mais forte do que qualquer outro aspeto motivador, como o salário, por exemplo.

Num dos seus posts, menciona que o salário não é a única coisa que fomenta a motivação; que outros estímulos podem aumentar o bem-estar?

Efetivamente, o salário não é um verdadeiro fator motivacional, é um fator motivador que podemos denominar de “higiénico”, precisa de figurar para permitir que outros fatores motivadores deixem fluir o talento, mas, em si mesmo não ativará os fatores motivadores orientados para alcançar os objetivos.

Estímulos como a eleição de parte dos projetos aos quais vai dedicar o seu tempo de forma voluntária, e, como dizia anteriormente, uma camada diretiva com talento. Ter um chefe que seja orientado para as aptidões e, sobretudo, que seja capaz de servir de catalisador entre os objetivos da organização, a camada diretiva e os próprios colaboradores é uma garantia de sucesso nos elementos motivadores.

Podemos considerar que esta nova filosofia veio para ficar?

Esta nova filosofia veio, sem dúvida, para ficar. Os candidatos com mais talento procurarão as culturas organizativas com maior liberdade e ambientes mais felizes para crescer e colocar o seu talento à disposição da empresa. A orientação para as pessoas significa trabalhar para os outros, e aqui as emoções têm um protagonismo essencial.

Qual é, no seu entender, o grau de consciência em relação às aptidões pessoais que há no nosso país?

É bastante escasso, os planos de desenvolvimento ainda tratam de cobrir unicamente áreas de melhoria e as aptidões ainda passam despercebidas em muitos casos. É uma tarefa pendente na qual todos os que trabalham com pessoas têm de tentar trabalhar mais na influência das aptidões.

Se pudesse acabar com um cabeçalho, diria que “Os novos tempos deixarão um mundo cheio de oportunidades para a liderança”. As novas tecnologias conseguirão substituir certas funções levadas a cabo hoje em dia por pessoas, mas não conseguirão substituir os líderes inteligentemente emocionais”

Muito obrigado, foi um prazer!

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