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Ser polímata, o novo horizonte profissional

Ser polímata, o novo horizonte profissional

  • Julho 23, 2019

A tecnologia por si só não faz avançar o mundo, mas sim a sua adaptação à vida das pessoas. Este passo decisivo não depende de engenheiros nem de programadores, mas sim de um novo perfil profissional que faz lembrar o grande Leonardo da Vinci: o dos polímatas ou pessoas capazes de dominar dois ou três conhecimentos divergentes. Grandes mudanças estão a caminho.

1. Ciências & Humanidades

O reconhecimento deste novo perfil profissional surge no relatório “La innovación requiere ahondar en el llamado <efecto Medici>” (“A inovação requer aprofundar o chamado <efeito Medici>”), publicado pela Deusto Business School. Nele explic-sea que os últimos anos do século XX viram aparecer polímatas como Steve Jobs ou Elon Musk, que devem o seu sucesso à sua paixão pelo design, a tecnologia e a ciência juntamente com a sua habilidade empresarial. “Se analisarmos a carreira dos grandes gurus da Sillicon Valley, observamos como coincidem no desejo de explorar oportunidades trazidas pela evolução tecnológica sem se limitarem a um setor em concreto – afirma o site innovaspain.com-. O próprio Musk – Doutor em Física e economista – fala em levar-nos a Marte enquanto revoluciona a indústria automóvel”.

Muitos filósofos da antiguidade eram polímatas, afirma o site cincodias.com, assim como muitas das pessoas mais relevantes do Renascimento e, em especial, Leonardo da Vinci, o mais conhecido de todos. Pessoas que dominavam vários campos das ciências e das artes. Hoje, um polímata é um profissional com conhecimentos técnicos e humanísticos (ou empresariais ou científicos), uma mente flexível e a capacidade de contribuir com soluções criativas. O mercado laboral já está a exigir engenheiros ou programadores com capacidade de compreender as necessidades da empresa e dos seus clientes, resolver problemas complexos, com pensamento crítico e capacidade de negociação, entre outras.

Questionar a realidade, conectar conhecimentos, preocupação por aprender são os novos valores em alta. Favorecidos pelo acesso universal à plataforma de conhecimento que é a Internet, com os seus múltiplos formatos de aprendizagem e os MOOC (Massive Open Online Courses) ensinados por professores e especialistas de primeiro nível. A formação regulada terá de acabar com a tradicional dicotomia ciências/letras e centrar-se em direção à especialização híbrida ou ao domínio de várias especialidades convergentes. E na direção da interconexão das duas áreas do saber do cérebro, a criativa e a lógica, para estimular uma mente criativa.

“Polimatia é a capacidade de alcançar a excelência em duas ou mais áreas do conhecimento – explica o site observatoriorh.com-, pertencentes a expressões diferentes do génio humano, com uma combinação de estruturas que podem proceder de campos tão diversos como as artes, as ciências, os negócios, o desporto, a tecnologia ou as humanidades”. E a economia digital é uma grande impulsora – como o foi na altura o Renascimento-, de grandes polímatas.

2. Empresas híbridas

A 3M – também segundo o site observatoriorh.com -, é a primeira empresa a publicar um estudo acerca da polimatia a partir da sua própria experiência, que conclui que: Os especialistas trouxeram para a 3M as inovações mais influentes; os generalistas geraram novas ideias e patentes; e os polímatas contribuíram não só gerando inovação, mas também aplicando estas invenções a diferentes áreas da organização, integrando-as com diferentes tecnologias e convertendo-se, assim, nos cientistas mais valiosos da empresa”.

A Techcrunch.com, na sua análise acerca deste assunto, avança que estão a ser pulverizadas as barreiras setoriais  entre as empresas empreendedoras tecnológicas: a inovação surge nas suas interseções. É aquilo que se conhece como “efeito Medici”, já que esta família renascentista apoiou a conexão entre investigadores, artistas e pensadores, criando novas disciplinas. “Voltamos ao efeito Medici porque, ligadas e relacionadas entre si, estas disciplinas tornam-nos mais fortes – afirma a innovaspain.com no seu artigo. Disciplinas como Big Data, Inteligência Artificial, automatização ou Internet das Coisas, com Filosofia, Direito, Management, Sociologia ou Arte, capazes de explorar novos “oceanos azuis”.

As empresas devem começar a pensar numa mudança estrutural, na qual técnicos, gestores, designers…, ou grupos de especialistas colaborem na procura de soluções multidisciplinares. Um perfil polímata pode ser crucial para que o diálogo e a inovação fluam entre eles: profissionais com um bom nível técnico e uma sólida base humanística. Joan Clotet, humanista Digital, é um bom exemplo contemporâneo deste perfil.

Para o blogue educacionit.com, as vantagens dos polímatas na empresa são a sua capacidade de gerar inovação dentro das equipas, as suas habilidades intelectuais, que enriquecem o trabalho colaborativo, a sua competência para se converterem em  pontes de união entre especialistas, melhorando o fluxo de comunicação.

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